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Sobre Genética
Dr.
Álvaro D’Alincourt Oliveira
NOCÕES
SOBRE GENÉTICA
Dr.
Álvaro D'Alincourt Oliveira
Para
termos melhor compreensão dos efeitos dos cruzamentos entre cães
e tiramos deles o melhor proveito possível, se faz necessário
saber noções básicas de genética, no sentido
de orientar a escolha dos cães e prever; aproximadamente, os resultados
a serem obtidos.
Os
caracteres de um ser vivo são passados através de gerações
durante os cruzamentos de dois indivíduos da mesma espécie.
Cada espécie tem um numero definido de CROMOSSOMAS que carregam
pequenas unidades chamadas GENS, que são responsáveis pela
manifestação externa de um caracter especifico. Um conjunto
de Gens determina uma carga genética chamada GENÓTIPO. Um
conjunto de caracteres determina o aspecto externo chamado FENÓTIPO.
Portanto, um fenotipo e a manifestação externa de um genotipo.
Cada
espécie possui um numero definido de cromossomas, que nos canídeos
e de 78, e estes transferem os genotipos de indivíduo a indivíduo
no momento da fecundação dos GAMETAS (células sexuais
– espermatozoides e óvulos).
Os
gametas são o resultado de um tipo de divisão celular especial,
chamado MEIOSE, que acontece nas células sexuais primitivas, dando
origem a 4 células com função de fecundação,
e possuem apenas a metade do numero de cromossomas (sendo um deles determinante
de sexo). A união de dois gametas dará origem a um OVO com
o numero total de cromossomas da espécie, que se dividira, dando
origem a um indivíduo.
Os
GENS estão dispostos em linha, nos braços dos cromossomas
e cada caracter e sempre definido por dois ou mais deles, que se chamam
ALELOS. Cada cromossoma possui sempre um par de alelos determinando uma
característica fenotipica. O aparecimento desta característica
no fenotipo do ser vivo e dado pelas relações enter os alelos
por ela responsáveis.
Mandel,
pai da genética moderna, conseguiu, através da observação
do cruzamento de ervilhas, postular duas leis básicas que ele hoje
orientam os cruzamentos de quaisquer espécies animais ou vegetais
que vivam sobre a terra.
Nestas
experiências, ele observou que algumas características especiais
apareciam e desapareciam e medida que os cruzamentos eram feitos. Elas
se mantinham ocultas no fenotipo, mas algumas gerações adiante
elas reapareciam, como se tivessem sido liberadas ao acaso de um domínio
que as ocultava. A esta relação, ele chamou de RELAÇÃO
DE DOMINÂNCIA.
Se
existe uma dominância, seu correspondente oposto seria a RECESSIVIDADE.
Outra
observação importante também feita durante suas experiências
foi o fato de que dois caracteres muito próximos, ou referentes
a um só fator, podem aparecer isoladamente ou em conjunto, como
se os dois se mostrassem em paralelo, sem haver qualquer tipo de dominância
de um sobre o outro. A este tipo de relação, ele chamou de
RELAÇÃO DE CO-DOMINÂNCIA.
Seguindo
em suas experiências, Mendel também observou que alguns fatores
mostravam ao mesmo tempo duas ou mais característica isoladamente,
não se fundindo. A relação de co-dominância
mostrava que dois ou mais gens poderiam mostrar sua característica
fenotipica isoladamente em um mesmo fator. Esta lei foi então desdobrada,
dando origem a teoria dos MÚLTIPLOS ALELOS que podemos verificar,
por exemplo, na cor dos olhos dos Huskies Siberianso, que tanto podem Ter
ambos os olhos de uma só cor, cada um de uma cor, ambos de dus cores
ou apenas uma com duas cores.
RELAÇÃO
DE DOMINÂNCIA – um gen domina o aparecimento da característica
fenotipica. O alelo recessivo só se manifesta na ausência
do gen dominante.
RELAÇÃO
DE CO-DOMINÂNCIA – ambos os alelos se manifestam dando uma característica
única.
MULTIPLICIDADE
DE ALELOS – os alelos se manifestam isoladamente em um só fator.
Os
gens, como já vimos, são caso herdados em conjunto quando
cada cromossoma se separa de seu par na formação dos gametas.
Mas, este conjunto de gens em um mesmo cromossoma pode ser alterado entre
seus braços. Isto explicaria o fato de uma característica
fenotipica que sempre veio acompanhada de outra, ser herdada isoladamente.
Durante
a fase de divisão celular para a formação dos gametas,
os cromossomas se alinham aos pares no meridiano central da célula.
Nesta fase existe a troca de gens de um braço cromossomial com outro
do outro componente do par de cromossomas. Portanto duas características
que vinham sempre juntas, podem se separar neste momento, alterando o genotipo
e, consequentemente, o fenotipo observado. Tal fenômeno se chama
"CROSSNG-OVER".
Vistos
estes princípios, cabe a nós criadores observa-los e tentar
relaciona-los aos fenotipos que dispomos em nossas criações.
Ao tentarmos qualquer tipo de cruzamento em uma espécie, devemos
observar que nós criadores ainda desconhecemos muito dos "porques"
da aparecerem ou desaparecerem certas características fenotipicas.
A
natureza, como sempre, e muito sabia. Ela relacionou o aparecimento de
determinadas características indesejáveis a relação
de dominância / recessividade, promovendo, assim, a seleção
natural nos membros da espécie. Normalmente, as doenças mutilantes,
ou características que levam a eliminação do animal
pela seleção natural, são ligadas a gens recessivos,
que só se manifestam na ausência do gen dominante, ou seja,
em caráter HOMOZIGOTO RECESSIVO (ambos os alelos são recessivos).
Os
entrecruzamento aleatório promovidos pela natureza levam cada vez
mais a condição de HETEROZIGOTOS (o par de alelos e composto
de um gen dominante e outro recessivo). Quando ocasionalmente, aparece
um exemplar homozigoto recessivo para um caráter indesejável
para a espécie, a seleção e imposta pela natureza,
principalmente pelo meio ambiente.
Nós
criadores, desconhecemos todas as razões da natureza para "administrar"
as espécies, temos a tendência de valorizar determinados pontos
em uma raça e tentar aprimora-los. Isto nos leva a promover cruzamentos
entre cães que nos mostrem um fenotipo desejado. Não tempos
condições de determinar o genotipo e, portanto, não
sabemos quais os caracteres recessivos desejáveis.
Promovendo
cruzamentos de parentes próximos, teríamos os objetivos alcançados
em termos de uma qualidade desejada, mas também aproximaríamos
os defeitos indesejáveis. Algumas raças já tiveram
inclusive modificações de estrutura significativa,se distanciando
cada vez mais dos seus objetivos na natureza.
As
quatro formas de entrecruzamento mais comuns são: O INBREEDING,
O LINE BREEDING, O OUTCROSSING E O OUTBREEDING. Estabelecer limites entre
as quatro formas é difícil. Onde um cruzamento deixaria de
ser inbreending e passaria a ser line-breeding. Um outerossing seria realmente
outerossing se os avos fossem intimamente relacionados ? Bom motivo para
discursão.
Por
definição, teríamos:
INBREEDING
– cruzamento entre parentes muito próximos; exemplos: pais e filhos,
irmãos inteiros, meio-irmãos etc;
LINE-BREEDING
– cruzamento entre cães com muitos ancestrais em comum; exemplos:
avós com netos, tios e sobrinhos, primos etc;
OUTCROSSING
– cruzamento entre cães que são produtos de um line breeding,
mas de duas linhas de sangue diferentes; e:
OUTBREEDING
– cruzamento entre cães sem relação de parentesco.
O
importante, na realidade, e a consciência do criador em não
permitir que seus interesses de estética deturpem as razões
de funcionalidade que existem no cão, todas sabidamente impostas
pela natureza. E importante que não se tente modificar a beleza
natural de uma raça apenas pela vaidade de se ter bonitos cães
em pista. |
Bright Kennel
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